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06.07.16

"- Sabe, a liberdade é um conceito interessante. Conheci um tipo que era trader em Wall Street, o género de golden boy que tem muito dinheiro e a quem a vida sorri: um dia, quis ser um homem livre. Viu na televisão uma reportagem sobre o Alasca que teve sobre ele o efeito de um choque. Decidiu que passaria a ser caçador, livre e feliz e viveria do ar puro. Abandonou tudo e partiu para o Sul do Alasca, para o Wrangler. Pois bem, imagine que o tipo, que sempre vencera na vida, venceu mais uma vez: tornou-se um homem livre. Nenhuma ligação, sem família, sem casa: apenas alguns cães e uma tenta. Foi o único homem verdadeiramente livre que conheci.

- Foi?

- Foi. O imbecil foi muito livre durante três meses, de Junho a Outubro. E depois, quando chegou o Inverno, acabou por morrer de frio, depois de comer os cães, já em desespero. Ninguém é livre, Goldman, nem os caçadores do Alasca. Sobretudo na América, onde os bons americanos dependem do sistema, os inúteis dependem da ajuda do governo e do álcool e os índios são livres mas estão circunscritos a jardins zoológicos de seres humanos, aos quais chamamos reservas, onde estão condenados a repetir a lamentável e sempiterna dança da chuva em frente a um amontoado de turistas. Ninguém é livre, meu caro. Somos prisioneiros dos outros e de nós próprios."

 

A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert, Joël Dicker, p. 407

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publicado às 10:03



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