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Dos livros aos filmes, passando pelos blogs. As frases que me marcam.
"As lágrimas são feiras de água salgada, como o mar. Chorar essa emoção é como tomar banho de mar de dentro para fora."
Ana Claudia Quintana Arantes, "A Morte é um Dia que Vale a Pena Viver"
"Essa oscilação, conhecida como processo dual de luto, foi descrita por Stroebe e Schut, autores reconhecidos no estudo dessa área. No processo dual do luto, há momentos em que estamos totalmente mergulhados na dor, no sofrimento pela morte da pessoa que amamos. No outro extremo, estamos imersos na realidade, no dia a dia, a lidar com questões do quotidiano que podem ou não estar relacionados à perda (como doar as coisas da pessoa, resolver problemas burocráticos como encerrar a conta no banco, telefone, inventário, etc.)
No momento extremo da dor, vem a tristeza, o choro, o desespero, a raiva. Todos esses sentimentos devem ser aceites e experimentados. Quando me perguntam se podem chorar, digo: «Chore, mas chore muito, mesmo. Deixe o corpo inteiro chorar, estremeça. Grite, deite-se na cama e esperneie. Permita-se, abra-se a esse encontro pleno com a dor. Aceite essa condição.» E é mágico como a dor passa quando aceitamos a sua presença. Olhemos para a dor de frente, ela tem nome e apelido. Quando reconhecemos esse sofrimento, ele quase sempre diminui. Quando o negamos, ele apodera-se da nossa vida inteira."
Ana Claudia Quintana Arantes, "A Morte é um Dia que Vale a Pena Viver"
"Tudo o que aprendemos com aquela pessoa que morreu permanece dentro de nós. No tempo do luto, se nos dedicarmos à cura da dor pela perda, conseguiremos avaliar com clareza tudo o que foi vivido e tudo o que aquela relação trouxe de positivo à nossa vida."
Ana Claudia Quintana Arantes, "A Morte é um Dia que Vale a Pena Viver"
"Esta conversa a respeito das diretivas antecipadas, sobre o que queremos ou não para o final da nossa vida, deveria acontecer primeiro entre os nossos familiares, na hora do jantar ou do almoço de domingo. Em nome da nossa segurança e dos nossos familiares mais idosos ou adoecidos, convém que essa conversa ocorra num momento em que não exista atividade nem progressão de doença. Deve acontecer na convivência, quase num contexto filosófico; uma conversa intelectual."
Ana Claudia Quintana Arantes, "A Morte é um Dia que Vale a Pena Viver"
"Fazer de si mesmo uma pessoa mais feliz tem relação com ajudar quem está a morrer. É olhar para essa pessoa de modo inteiro e perceber-se como igual, pois também estamos a morrer. Quando ajudamos uma pessoa, estamos presentes do lado dela, não dentro dela. Quando só conseguimos estar no nosso sofrimento, usamos aquela pessoa para nos realizarmos."
Ana Claudia Quintana Arantes, "A Morte é um Dia que Vale a Pena Viver"
"Fé pressupõe uma entrega. Se temos fé em Deus, e fé em que ele fará o melhor por nós, não importa o que aconteça, teremos a certeza de que foi o melhor que podia acontecer. Mesmo que tenha acontecido a doença, o sofrimento e a morte ou a cura. Foi o melhor. Quando acreditamos que Deus nos vai curar, convencemo-nos de que a melhor solução para aquele processo é que sejamos curados. Quando temos fé, colocamo-nos numa condição de sermos cuidados, de sermos protegidos, de entregarmo-nos à sorte de ter um Deus, o Deus certo para nós. Aquele que pode levar-nos ao nosso destino. Ao que precisa de ser vivido. Ao verdadeiro sentido de dizer: «Que seja feita vossa vontade»."
Ana Claudia Quintana Arantes, "A Morte é um Dia que Vale a Pena Viver"
"O que tentam ensinar-nos na faculdade é que bons médicos têm de fugir da morte. O trabalho do médico deveria ser o de promover a saúde. Mas atuamos na base do medo: faça exames! Caminhe cinco vezes por semana, durma, coma saudável! Senão morre! Claro que vai morrer. Mesmo que faça isso tudo. Deveríamos alertar que, se fizer tudo isso, vai viver melhor. E isso já deveria ser um bom motivo."
Ana Claudia Quintana Arantes, "A Morte é um Dia que Vale a Pena Viver"
"(...) se desejamos estar presentes, seja a trabalhar, seja a vivenciar a morte de uma pessoa que amamos muito, os primeiros desafios são estes: saber quem somos, o que estamos a fazer ali e como faremos para que aquele processo seja o menos doloroso possível. o passo seguinte é procurar saber qual é a nossa capacidade de transformar a forma como aquela pessoa se vê - como um fardo, um peso, um mar de medos e arrependimentos - em algo de valor. Se nos sentirmos perdidos no meio disso tudo, observemos. Numa sábia fala de um filme muito popular, Piratas das Caraíbas, um personagem lança luz sobre esse momento tenso: «Quando estamos perdidos, encontramos lugares que, se soubéssemos onde estavam, jamais teríamos encontrado.» Aproveitemos o tempo que nos perdemos. Permanecer ao lado de alguém que está a morrer fará com que experimentemos essa sensação de estar perdidos muitas vezes. Não é caso para fugir. É nesse espaço de tempo que conheceremos caminhos absolutamente inéditos dentro de nós mesmos para chegar a um lugar incrível: a vida."
Ana Claudia Quintana Arantes, "A Morte é um Dia que Vale a Pena Viver"
"Mas onde a morte está a vida manifesta-se."
Ana Claudia Quintana Arantes, "A Morte é um Dia que Vale a Pena Viver"
"Para estar ao lado de alguém que está a morrer, precisamos de saber como ajudar a pessoa a viver até o dia em que a morte dela chegará. Apesar de muitos escolherem viver de um modo morto, todos têm o direito de morrer vivos. Quando chegar a minha vez, quero encerrar a minha vida de um modo bom: quero estar viva nesse dia."
Ana Claudia Quintana Arantes, "A Morte é um Dia que Vale a Pena Viver"
"Muitos justificam o seu desejo de estar ao lado de uma pessoa que está a morrer assim: «Quero ser voluntário para ajudar as pessoas a morrer; quero fazer Cuidados Paliativos para ajudar as pessoas a morrer; quero estudar tanatologia para ajudar as pessoas a morrer.» Mas é bem o contrário disso. preste atenção: se quer ajudar as pessoas a morrer, então vá procurar outra coisa. Vá vender cigarros, álcool, drogas. Vá compartilhar violência e tristeza.
Isso ajuda as pessoas a morrer."
Ana Claudia Quintana Arantes, "A Morte é um Dia que Vale a Pena Viver"
"O desafio de quem quer estar ao lado de uma pessoa que está a morrer é saber transformar o sentimento dela em algo de valor. Transformar o sentimento de fracasso diante da doença num sentimento de orgulho pela coragem de enfrentar o sofrimento de finitude. Se a pessoa que está a morrer se sente valiosa, no sentido de ser importante, de fazer a diferença na própria vida e sentir que faz a diferença na vida de quem está a cuidar dela, ela honrará esse tempo."
Ana Claudia Quintana Arantes, "A Morte é um Dia que Vale a Pena Viver"
"Os Cuidados Paliativos que pratico há vinte anos, são esse processo de assistência para quem está na reta final. Às vezes, a reta final não é reta final no tempo: é a reta final da nossa vida. A condição terminal pode prolongar-se por anos. Terminalidade não é a semana que vem. A condição terminal não é o tempo, e sim uma condição clínica que advém de uma doença grave, incurável, sem possibilidade controlo, e diante da qual, impotente, a medicina cruza os braços. Isto pode ser vivenciado em horas, dias, semanas, meses ou anos."
Ana Claudia Quintana Arantes, "A Morte é um Dia que Vale a Pena Viver"
"Pensamos então que uma vida boa é uma vida que nos levou a ter coisas e a fazer coisas. Mas quando chega o tempo da doença não podemos fazer mais nada. E quando deixamos de fazer, pensamos que isso é morrer, mas não é ainda. A ideia de «ser» humano é simplesmente existir e fazer a diferença no sítio onde estamos, por ser quem somos."
Ana Claudia Quintana Arantes, "A Morte é um Dia que Vale a Pena Viver"
"O ser humano é a única espécie na Terra que é definida por um verbo. Vaca é vaca, boi é boi, borboleta é borboleta, mas ser humano, só nós. Nascemos animais, mamíferos pensantes e conscientes, mas só nos tornamos humanos à medida que aprendemos a ser humanos."
Ana Claudia Quintana Arantes, "A Morte é um Dia que Vale a Pena Viver"
"Enquanto as pessoas não olharem para a morte com a honestidade de perguntar a ela o que há de mais importante sobre a vida, ninguém terá a chance de saber a resposta."
Ana Claudia Quintana Arantes, "A Morte é um Dia que Vale a Pena Viver"
"O que separa o nascimento da morte é o tempo. Vida é o que fazemos dentro desse tempo; é a nossa experiência."
Ana Claudia Quintana Arantes, "A Morte é um Dia que Vale a Pena Viver"
"Essa experiência do tempo que podemos ver, contado no relógio, e a do tempo que não passa acontece, em geral, quando o nosso tempo está sem sentido. Um modelo experimental da ausência é entrarmos no metro. Quem está no metro nunca está lá; apenas sai de um lugar para chegar a outro. Naquele monte de gente não há ninguém presente. Quando estamos no metro pensamos: «Quanto tempo falta para chegar à minha estação?» Para muitas pessoas, a vida é como estar no metro de olhos vendados: elas entraram num lugar que não sabem onde fica, não sabem onde vão descer e não estão presentes! Simplesmente estão dentro."
Ana Claudia Quintana Arantes, "A Morte é um Dia que Vale a Pena Viver"
"Podemos tentar acreditar que enganamos a morte, mas somos ignorantes demais para tal feito. Não morremos somente no dia da nossa morte. Morremos a cada dia que vivemos, conscientes ou não de estarmos vimos. Mas morremos mais depressa a cada dia que vivemos privados dessa consciência. Morremos antes da morte quando nos abandonarmos. Morremos depois da morte quando nos esquecerem."
Ana Claudia Quintana Arantes, "A Morte é um Dia que Vale a Pena Viver"
"Quem diz ter medo da morte deveria ter um medo mais responsável. Quem sabe poderíamos dizer que deveriam ter respeito pela morte. O medo não salva ninguém da morte, a coragem também não. Mas o respeito pela morte traz equilíbrio e harmonia nas escolhas. Não traz imortalidade física, mas possibilita da experiência consciente de uma vida que vale a pena ser vivida, mesmo que tenha sofrimentos aliviados, tristezas superadas por alegrias, tempo de beber para celebrar, de fumar para refletir, de trabalhar para se realizar. Mas tudo numa medida boa, numa medida leve."
Ana Claudia Quintana Arantes, "A Morte é um Dia que Vale a Pena Viver"