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16.04.12

"To lose balance sometimes for love is part of living a balanced life."

 

Comer Orar Amar, Elizabeth Gilbert

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publicado às 00:24

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15.04.12

"Caem sobre mim silenciosas e ameaçadoras como detectives Pinkerton e cercam-me - a depressão pela esquerda e a solidão pela direita. Não precisam de me mostrar os distintivos, conheço-as muito bem. Há anos que brincamos ao jogo do gato e do rato. (...)

Digo-lhes:

- Como é que me encontraram aqui? (...)

A depressão, sempre mais cínica, responde:

- O quê? Não estás contente por nos ver?

- Vão-se embora - digo-lhes.

A solidão, a mulher-polícia mais sensível, diz:

- Desculpe, minha senhora, mas posso ter de a seguir enquanto está a viajar. É essa a minha tarefa.

- Preferia mesmo que não o fizesse - digo-lhe, e ela encolhe os ombros quase como se pedisse desculpa, mas limita-se a aproximar-se ainda mais.

A seguir, esvaziam-me os bolsos de qualquer alegria que lá tivesse. A depressão chega mesmo ao ponto de confiscar a minha identidade; mas ela faz sempre isso. Depois, a solidão começa a interrogar-me, o que me apavora porque se prolonga sempre horas a fio. É educada mas inflexível e acaba sempre por me apanhar em falso. Pergunta-me se tenho conhecimento de alguma razão para estar feliz. Pergunta-me porque estou sozinha esta noite. Pergunta (embora já tenha seguido esta linha de inquérito centenas de vezes) porque motivo não sou capaz de manter um relacionamento (...). Pergunta onde penso eu que irei acabar quando chegar a velha se continuar a viver desta maneira.

Regresso a casa, esperando afastá-las, mas aquelas duas palermas continuam a seguir-me. A depressão agarra-me firmemente o ombro e a solidão assedia-me com as suas perguntas. nem sequer me dou ao trabalho de jantar, não quero que me vigiem. Também não quero deixa-las subir as escadas até ao meu apartamento, mas conheço a depressão e sei que não há como impedi-la de ir se assim o decidir.

- Não é justo virem aqui - digo à depressão. - Já saldei as contas convosco. (...)

Mas ela limita-se a brindar-me com aquele sorriso sombrio e instala-se na minha cadeira favorita, põe os pés em cima da mesa e acende um cigarro, enchendo tudo de fumo. A solidão observa e suspira, depois deita-se na minha cama e tapa-se com os cobertores, totalmente vestida, de sapatos e tudo. Já sei que vou ter de dormir com ela outra vez esta noite."

 

Comer Orar Amar, Elisabeth Gilbert

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publicado às 21:45


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