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(196)

01.08.20

"Kafka escreveu, nos seus diários, que «um escritor que não escrever é um monstro a cortejar a insanidade». (...) Faz a ti próprio esta pergunta à maneira de Rilke: Preciso de escrever? E, caso a resposa seja positiva e sincera, então podes chamar a ti próprio «escritor«, mesmo que nada tenhas publicado."

 

João Tordo, Manual de Sobrevivência de um Escritor

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publicado às 21:26

(195)

01.08.20

"Faulkner disse acerca de Hemingway: «Que se saiba, ele nunca usou uma palavra que fizesse o leitor ir ao dicionário.» Hemingway interpretou isto da seguinte maneira: «Pobre Faulkner. Será que ele julga mesmo que as grandes emoções nascem das grandes palavras?".

 

João Tordo, Manual de Sobrevivência de um Escritor

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publicado às 21:24

(194)

01.08.20

"(...) existe alguma coisa na experiência de estar vivo que é particularmente difícil de assimilar para a hipersenibilidade do escritor. Se a escrita cumpre algum papel, é o de relativizar essa experiência, abarcando-a completamente."

 

João Tordo, Manual de Sobrevivência de um Escritor

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publicado às 21:21

(193)

01.08.20

" Na construção de uma narrativa, o escritor ocupa, de certa maneira, este lugar do divino. O teu silêncio deve ser tão cruel e repleto de amor como o silêncio de Deus. O(s) teu(s) protagonista(s) é/são responsável/eis pelas suas escolhas e deve(m) reconhecer as consequências das suas acções, mas nunca lhe(s) deves dizer porquê.

Não há nada que mate um livro mais depressa do que a justificação ou a exposição forçada.

Noutras palavras: a imanência, na qual existimos e trabalhamos, e sobre a qual trabalhamos, não carece de explicação. Se a tua prosa for verdadeira, nunca precisarás de dizer porquê. Apenas Quem, Como, Onde, Quando."

 

João Tordo, Manual de Sobrevivência de um Escritor

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publicado às 21:15

(192)

01.08.20

"No fundo, toda a ficção é inverosímil, pelo simples fato de não ter acontecido. Por outro lado, mesmo que tenham eventualmente acontecido, algumas histórias não são credíveis. Já todos ouvimos alguém dizer «parece mentira». (...) Assim é a ficção; assim funciona a arte. Ela não trata do que é real, mas do que é verdadeiro. E o verdadeiro não é necessariamente aquilo que aconteceu (embora possa sê-lo), mas aquilo que é mais necessário que que se fosse real. (...)

Confuso? Scott Fitzgerald disse-o melhor do que eu: « Um artista é alguém que consegue ter dois pontos de vista contraditórios e, ainda assim, continuar a funcionar.»

Se queres ser escritor, tens de aceitar esta profunda contradição. Por um lado, és um fingidor. Por outro, fingido, tentas chegar à verdade. Sendo, ao mesmo tempo, um ficcionista e um cidadão, tens i direito de fingir tanto quanto tens o direito (e também o dever) de não fingir (...)."

 

João Tordo, Manual de Sobrevivência de um Escritor

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publicado às 21:08

(191)

01.08.20

"(...) toda a ficção tem o seu quê de «científica» no sentido de provir de um planeta longínquo: os lugares mais recondidos da nossa alma."

 

João Tordo, Manual de Sobrevivência de um Escritor

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publicado às 21:04


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